domingo, 11 de junho de 2017

Ansel Adams sobre a apreciação da natureza




One weakness in our appreciation of nature is the emphasis placed upon scenery, which in its exploited aspect is merely a gargantuan curio.

Things are appreciated for size, unusuality, and scarcity more than for their subtleties and emotional relationship to everyday life. Even some of the most sincere proponents of the National Parks speak of `the oldest living thing` or the `highest waterfall` or the `greatest collection of geysers in the world`, unmindful that such extremes are merely coincidental and have little to do with true spiritual and emotional values.

The moon rising beyond a great mountain establishes an emotional actuality which has nothing whatever to do with size, distance, or coincidence. Likewise, common grass growing against stone may be of more poignant beauty than an entire grove of sequoias in their most conventional `tourist` aspect...

sábado, 27 de maio de 2017

O NASCIMENTO DA MEDICINA



Os índios dos territórios norte-americanos são de diversas etnias. Nas regiões dos Grandes Lagos no nordeste daqueles territórios, (actual zona fronteiriça dos EUA e Canadá), dominava desde o século XII a etnia dos Iroqueses. Uma das suas famílias mais conhecidas é a dos Mohawak (não confundir com Moicanos), que habitava a zona do vale do rio do mesmo nome, onde hoje se situa uma parte do estado de Nova Iorque.

Retirado do belíssimo livro de Lewis Spence "Guia Ilustrado. Mitologia Norte-Americana", não resisto a transcrever esta versão dos Iroqueses sobre o "nascimento da medicina". É a sua descrição de como as plantas medicinais passaram a ocupar o lugar de destaque que têm naquela cultura. E como o tema também é de interesse universal, aqui vai:

Antigamente, os animais eram dotados de fala e viviam em alegre harmonia com os homens, mas a humanidade começou a reproduzir-se tão depressa que os animais foram forçados a morar nas florestas em lugares desertos, e a velha amizade entre animais e homens foi esquecida. A brecha alargou devido ao invento das armas mortais, com as quais o homem começou a matança indiscriminada dos animais para obter a sua carne e as suas peles.

Os animais, a princípio surpresos, cedo se enfureceram e começaram a pensar em modos de retaliação. A tribo dos ursos reuniu o seu conselho, presidido pelo Velho Urso Branco, o seu chefe. Após vários intervenientes terem denunciado as tendências sanguinárias da humanidade, foi decidido unanimemente que seria declarada guerra; mas a falta de armas era olhada como uma grande desvantagem. No entanto, foi sugerido que as armas dos homens deveriam ser viradas contra eles mesmos e, visto o arco e a flecha serem considerados os principais agentes humanos de destruição, ficou resolvido que seria criada uma imitação. Foi trazido um pedaço de madeira adequado e um dos ursos sacrificou-se para assim poderem obter cordas feitas de tripa para o arco. Quando o instrumento foi acabado, descobriu-se que as garras dos ursos interferiam no disparar da arma. Um dos ursos cortou as suas garras, mas o Velho Urso Branco disse sensatamente que assim não conseguiam subir às árvores, nem tão-pouco caçar; por isso, se as cortassem, morreriam todos à fome.

Também os veados se reuniram com o seu chefe, Pequeno Veado. Foi decidido que todos os homens que matassem um membro da tribo dos veados sem depois pedirem perdão da maneira correcta, passariam a sofrer de reumatismo. Deram a conhecer esta nova regra a um acampamento de índios que se encontrava por ali perto e explicaram-lhes como haviam de fazer para compensar o facto de terem matado um dos membros da tribo dos veados. Decretaram que, quando um veado fosse morto por um caçador, o Pequeno Veado correria para o local da morte e, dobrando-se sobre as nódoas de sangue, perguntaria ao espírito do veado que morrera se tinha ouvido a oração do caçador, em forma de pedido de desculpa. Se a resposta fosse "sim", tudo ficava bem e o Pequeno Veados ir-se-ia embora, mas se a resposta fosse negativa, ele seguiria o caçador e atingi-lo-ia de reumatismo, de maneira a que ele se tornasse um inválido inútil.

Depois foi a vez de os répteis e os peixes se reunirem, ficando decidido que ensombrariam todos aqueles que os atormentassem com sonhos em que cobras e serpentes se enrolavam nos seus corpos ou em que eles comiam peixes em decomposição.

Por fim, os pássaros, os insectos e os animais mais pequenos, reuniram-se também para o mesmo efeito. Cada um de sua vez deu a opinião e o consenso a que chegaram foi contra a espécie humana. Eles imaginaram e puseram nomes a várias doenças.

Quando as plantas, que eram amigas dos homens, ouviram o que os animais estavam a planear, decidiram fazer com que as suas tentativas de destruir os homens saíssem furadas. Cada árvore, arbusto, relva ou mesmo erva decidiu criar um remédio para alguma das doenças referidas. Quando o médico tinha dúvidas no que dizia respeito ao tratamento a administrar para o alívio de um paciente, o espírito da planta sugeria um remédio adequado. Foi assim que nasceu a medicina.