terça-feira, 2 de dezembro de 2014

BIOFILIA E PAISAGEM, IN " A CRIAÇÃO. UM APELO PARA SALVAR A VIDA NA TERRA", EDWARD O. WILSON, 2007, Gradiva, Lisboa (ed. original 2006)




"...preferem um ambiente que combine três elementos."

A atracção gravítica da natureza sobre a psique humana pode ser expressa numa expressão única e mais contemporânea, biofilia, que eu defini em 1984 como a tendência inata para desenvolvermos uma ligação emocional à vida e aos processos vivos.

(…)

E que dizer da biofilia? Há um bom exemplo bem à vista. Os investigadores descobriram que quando se dá a pessoas de diferentes culturas, incluindo da América do Norte, da Europa, da Ásia e da África, a possibilidade de escolherem a localização das suas casas e lugares de trabalho, elas preferem um ambiente que combine três elementos. Desejam viver num lugar elevado que lhes permita olhar para baixo e para longe, abarcando, à sua frente, um terreno coberto maioritariamente por vegetação rasteira mas com árvores dispersas e bosques, com um aspecto mais semelhante a uma savana do que a uma pradaria e floresta cerrada e estar perto de um corpo de água, como um lago, um rio ou o mar. Mesmo que todos estes elementos sejam meramente estéticos e não funcionais, como no caso das casas de férias, as pessoas com meios pagarão bom dinheiro para as obterem.

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Jantei uma vez em casa do falecido Gerard Piel, um ilustre escritor, editor e o fundador da Scientific American. Eu sabia que ele não estava inclinado a aceitar a ideia de uma natureza humana genética. Por isso, deu-me um prazer considerável sair com ele para o seu terraço, bordejado por arbustos em vasos, e olhar lá para baixo com ele, do alto de mais de doze andares, para o bosque, savana e lago do Central Park. Posso apenas imaginar o quanto aquela vista contribuía para aumentar o valor comercial do apartamento – graças às escolhas feitas pelos nossos antepassados africanos.

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